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Os números são alarmantes. Um estudo realizado pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que, somente neste ano, o Brasil terá quase 500 mil novos casos de câncer. Atualmente, a doença é a segunda causa de morte na população, representando quase 17% dos óbitos de causa conhecida. Esse resultado mostra que a incidência do câncer continua crescendo, principalmente em virtude do envelhecimento da população. Diante desse cenário, a Editora Hagnos/UnitedPress acaba de lançar um livro para ajudar pacientes e familiares a lidar com este problema tão delicado.

‘Doutor, é câncer?’ aborda o tema com clareza e sensibilidade, permitindo que a palavra ‘câncer’ seja verbalizada de maneira apropriada. O autor, Dr. Lísias Nogueira Castilho, é considerado uma autoridade no assunto. Formado em Medicina pela USP, especialista em cirurgia geral e urologia, mestre e doutor em Medicina pela Unicamp, ele apresenta detalhes sobre a doença com base em sua experiência e na prática médica.

Dr. Lísias Nogueira Castilho

Por ser um tema que desperta o interesse público, Dr. Castilho já foi entrevistado por veículos como as rádios CBN e Jovem Pan, sites Abril, Leitura.com, AnaMariaBraga.com e outras mídias. Agora, em conversa exclusiva com a reportagem da Aliança, o médico fala sobre o que é o câncer, como pode ser desenvolvido, as formas de prevenir sua aparição e como o suporte emocional pode ajudar a dar sentido para este duro episódio.

Em linhas gerais, o que é o câncer?
É a multiplicação desordenada e caótica de células, em qualquer órgão do corpo, que causa destruição local e ainda tem o potencial de invadir a corrente sanguínea e atingir outros órgãos (metástases). Qualquer pessoa pode desenvolver um tumor maligno. E seja ele do tipo brando ou agressivo, todos podem matar. Mas, por outro lado, todos têm cura. Tudo vai depender da maneira como encaramos a doença.

Em números, como o câncer afeta a população brasileira?
São 500 mil casos novos de câncer estimados pelo INCA para 2010 no Brasil, sendo cerca de 150 mil de câncer de pele, 50 mil de mama e 50 mil de próstata.

Que motivo o levou a escrever sobre o tema?
A falta de literatura com qualidade técnica a respeito do câncer no Brasil. Aqui, a ignorância é extrema. Em países desenvolvidos, o assunto é abordado com naturalidade e a população é informada desde os bancos escolares.

‘Doutor, é câncer?’ é uma leitura aconselhada a quem?
Trata-se de um livro médico, escrito para leigos, sobre o câncer – como evitá-lo e como enfrentá-lo. São abordados aspectos físicos e psicológicos de quem tem câncer ou de quem sofre por tabela, como a família e os amigos. A obra também mostra alguns hábitos que a pessoa pode desenvolver para evitar o aparecimento de um tumor maligno.

Quais são alguns desses hábitos?
Câncer de pulmão primário é quase uma exclusividade do fumante. Não fumar tem uma repercussão tremenda em diversas formas de câncer. Além disso, manter uma boa alimentação, não tomar muito sol, evitar bebidas alcoólicas, sedentarismo, obesidade, e a ingestão de substâncias químicas, mesmo remédios, em uso contínuo. O abuso de analgésicos, por exemplo, pode desencadear o câncer de rim. Seguir estas regras não é tarefa fácil. No entanto, quem viver de acordo com elas verá a possibilidade de desenvolvimento de câncer diminuir bastante.

É comum os pacientes serem pegos de surpresa. O câncer apresenta sintomas?
Não há sinais no início, de modo geral. No entanto, quando o câncer cresce, os sintomas variam conforme o órgão de origem. Pode haver, por exemplo, sangramento na urina quando o câncer é dentro da bexiga. Ou sangramento nas fezes quando o câncer é no intestino grosso. Através de um check-up geral minucioso e periódico é possível detectar a doença em seu estágio inicial, o que sempre aumenta as chances de cura, mesmo que seja de um tipo muito agressivo. A partir do aparecimento dos primeiros sintomas, as chances de recuperação diminuem progressivamente.

Como a família deve reagir quando tem a notícia de um parente foi acometido pelo câncer?
A pior coisa nessa hora é a pressa e a atitude intempestiva. A família deve se reunir para racionalmente discutir os caminhos a serem tomados. Quando o câncer está confirmado, as participações do médico e dos familiares do paciente são essenciais. É de suma importância manter o paciente integrado em seu grupo social, com a constante presença de familiares e amigos. O isolamento pelo qual os pacientes passam é extremamente prejudicial – às vezes por conta de um distanciamento a que eles mesmos se impõem, ou por conta da ignorância de quem acredita que câncer seja contagioso e não quer ficar perto de um doente, ou até mesmo por conta da política hospitalar que coloca o paciente sozinho em um quarto de UTI.

E o paciente? Como deve se comportar ao saber da doença?
Sua reação é imprevisível, mas com a ajuda do médico e da família ele consegue, de modo geral, assimilar o golpe e enfrentar a situação com dignidade e espírito de cooperação. A forma como o paciente lida com a doença é essencial para se chegar à cura. Quanto mais positiva e emocionalmente estável a pessoa estiver, maiores as chances de uma recuperação plena.

Tratando-se de um tema tão importante e delicado, qual é seu conselho para os leitores?
Meu conselho é que os leitores busquem informações confiáveis, de qualidade, com seus médicos e nas sociedades médicas oficiais. E que ponham em prática o que já sabem hoje sobre o assunto. Entre saber e praticar há um abismo, particularmente quando se trata de hábitos a serem modificados.

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